Cyber Risk Quantification

O que é ROSI (Return on Security Investment)?

Definição

ROSI (Return on Security Investment) é um indicador que compara a redução esperada de perdas proporcionada por um investimento em segurança com o custo desse investimento. A forma mais usada é ROSI = (redução da perda anual esperada − custo da solução) ÷ custo da solução. Um ROSI positivo indica que, sob as premissas adotadas, o investimento evita mais perda do que custa.

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Por que ROSI é importante?

Segurança não gera receita: evita perda. Isso dificulta defender orçamento com a lógica de ROI tradicional e convida a dois atalhos ruins — justificar investimento pelo medo ou apenas pela conformidade, sem comparar alternativas. O ROSI força uma pergunta mais útil: quanto risco este investimento reduz para cada real gasto, e como ele se compara às outras opções que disputam o mesmo orçamento?

Seu maior valor não está no número final, mas na disciplina que exige: descrever o cenário, estimar a perda esperada antes e depois do controle e contabilizar o custo total da solução.

Como funciona

A formulação difundida pela ENISA parte da perda anual esperada (ALE, de Annual Loss Expectancy):

  • ALE = ARO × SLE — frequência anual esperada de ocorrências (ARO) multiplicada pela perda por ocorrência (SLE).
  • Redução de perda = ALE − mALE — a diferença entre a perda esperada sem a solução e com ela (mALE, ALE modificada), o mesmo que ALE × taxa de mitigação.
  • ROSI = (redução de perda − custo da solução) ÷ custo da solução.

O custo da solução deve ser anual e completo: licença, implantação amortizada, operação, horas da equipe e eventual impacto em produtividade. Um ROSI calculado só com o preço da licença é sistematicamente otimista.

Exemplo prático

Cenário (exemplo ilustrativo): uso de credenciais privilegiadas comprometidas para criptografar servidores. Perda anual esperada sem tratamento adicional: R$ 2,4 milhões. Duas alternativas disputam o orçamento:

A. Gestão de acessos privilegiadosB. Nova ferramenta de monitoramento
Custo anual totalR$ 450 milR$ 300 mil
Taxa de mitigação estimada60%15%
Redução de perdaR$ 1,44 milhãoR$ 360 mil
ROSI(1,44 − 0,45) ÷ 0,45 = 220%(0,36 − 0,30) ÷ 0,30 = 20%

Agora, o teste que importa. Se a taxa de mitigação da alternativa A for 30% em vez de 60%, a redução cai para R$ 720 mil e o ROSI para 60%. Ainda positivo, ainda melhor que B: a decisão é robusta à incerteza. Quando uma variação plausível em uma premissa inverte a ordem entre as alternativas, o ROSI não decidiu nada — e o esforço deve ir para melhorar a estimativa.

Como calcular ou avaliar

Antes de levar um ROSI ao comitê, vale checar suas limitações conhecidas:

  • Estimativa. ARO e taxa de mitigação são estimativas, muitas vezes com pouca base. O próprio relatório da ENISA aponta a dificuldade de estimar como o principal limite do método. Apresente faixas e sensibilidade, não um percentual único.
  • A média esconde a cauda. A ALE é uma média. Um controle que muda pouco a média, mas corta perdas extremas — backup imutável, por exemplo —, pode parecer ruim no ROSI e ser decisivo para o apetite.
  • Controles não se somam. Dois controles que bloqueiam o mesmo caminho não reduzem a perda duas vezes. Calcule o ROSI da combinação, não de cada um isoladamente.
  • Horizonte de tempo. Investimentos plurianuais pedem custos e reduções no mesmo horizonte, idealmente trazidos a valor presente.
  • Obrigações regulatórias. Controles exigidos por norma não dependem de ROSI positivo. Para eles, a pergunta útil é qual forma de cumprir a exigência reduz mais risco pelo mesmo custo.

O relatório da ENISA também discute o modelo de Gordon e Loeb (2002), referência frequente sobre o nível ótimo de investimento em proteção da informação — com premissas que precisam ser lidas antes de aplicar qualquer conclusão a um caso concreto.

ROSI na gestão de cyber risk

O ROSI depende de uma boa quantificação de risco cibernético: sem perda esperada estimada por cenário, não há o que comparar. Com CRQ, ele pode ser calculado sobre as distribuições simuladas, o que permite ir além da média — por exemplo, comparar quanto cada alternativa reduz a perda no percentil 95.

Ele também serve para revisar o que já foi comprado. Ferramentas e controles existentes têm custo recorrente; quando sua contribuição para reduzir o risco residual é pequena, um ROSI negativo é argumento para realocar orçamento. A posição do ROSI no caminho entre exposição, quantificação e decisão de investimento está descrita em Return on Security Investment.

Relação com frameworks

  • ENISA — Introduction to Return on Security Investment (2012): descreve ALE, mALE, taxa de mitigação, o cálculo do ROSI e seus limites.
  • Open FAIR: oferece uma forma estruturada de estimar a frequência e a magnitude que alimentam a perda esperada antes e depois do controle.
  • NIST CSF 2.0: GV.RR-03 pede recursos alocados de forma compatível com a estratégia de risco de cibersegurança; o ROSI é uma das formas de fundamentar essa alocação.

Nenhum framework obrigatório exige o cálculo de ROSI. Ele é uma ferramenta de decisão, não um requisito de conformidade.

Referências

Termos relacionados

Onde este conceito se encaixa

  1. Cenário de risco
  2. Perda anual esperada (ALE)
  3. Controle
  4. Eficácia de controle
  5. Redução de perda
  6. Custo total da solução
  7. ROSI

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